segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016






ANITA MALFATTI


Anita Catarina Malfatti, nasceu em 2 de dezembro de 1989, na cidade de São Paulo, filha do engenheiro italiano Samuel Malfatti e Betty Krug. Sua mãe era professora de pintura e línguas, por isso, sua instrução artística se deu em sua própria casa. Tinha uma atrofia em seu braço e mão direita, então, por conta disso, pintava com a mão esquerda.

Ingressou na Escola Mackenzie College, onde fez seus estudos normalmente, formou-se  professora, com seus 19 anos de idade. Logo depois de sua formatura, seu pai faleceu e ela tinha muito apego a ele e sofreu muito com isso.

Tinha um talento espantoso para a pintura, seu tio e seu padrinho se juntaram e conseguiram uma quantia em dinheiro, patrocinaram a ela uma viagem para a Alemanha para estudar arte.

Em 1911, matriculou-se na Academia Real de Belas Artes de Berlim, Alemanha, lá, foi influenciada pelo Expressionismo.

Tempo depois viajou para os Estados Unidos e conheceu o movimento modernista. Malfatti retratava em suas obras principalmente pessoas marginalizadas que viviam nos centros urbanos. Suas obras não foram bem aceitas pelos integrantes das classes sociais, as chamadas classes conservadoras.

EXPOSIÇÃO DE ANITA MALFATTI

Em 1917, entre 12 de dezembro e 11 de janeiro de 1918, em São Paulo, houve uma exposição de Anita Malfatti, essa exposição é considerada um “marco” na história da Arte Moderna no Brasil, foi o “estopim” para o início da Semana da Arte Moderna que viria logo depois em 1922.

As telas expressionistas que Anita apresentou na exposição, eram inéditas ao público da sociedade paulistana, por isso, houve uma severa crítica do escritor Monteiro Lobato. Sua crítica foi em torno dos supostos equívocos que trazia a arte moderna, para ele, a arte era somente aquela em que figurava a estética (a beleza), os padrões que os gregos e os renascentistas criaram. Abaixo Oswald de Andrade, também escreve sobre Malfatti.



La Boba, Autor: Anita Malfatti Onde ver: Museu de Arte
             Contemporânea, USP, São Paulo 

Ano: 1915 - 1916 

Técnica: Óleo sobre tela 

Tamanho: 61cm x 50,6cm 

Movimento: Modernismo 

Na exposição, Malfatti figura ainda, como justificativa da sua escola, o trabalho de um "mestre" americano, o cubista Bolynson. É um carvão representando (Sabe­-se disso porque o diz a nota explicativa) uma figura em movimento. Ali está entre os trabalhos da Sra. Malfatti em atitude de quem prega: Eu sou o ideal, sou a obra prima; julgue o público do resto, tomando a mim como ponto de referência. (ANDRADE, Oswald de. O manifesto antropófago.)

Na época, o texto de Monteiro Lobato, causou um reboliço na arte e na vida da Artista fazendo com que ela voltasse a pintar da maneira que fizera antes. Nos dias de hoje  Monteiro Lobato era quem receberia severas críticas pelo texto escrito, já que a arte mudou muito seu conceito daquele tempo para hoje, agora, ele iria saber que Anita estava certa em sua ousadia.

SEMANA DA ARTE MODERNA

Ocorreu entre os dias 11 e 18 de fevereiro, há 94 anos no Teatro Municipal de São Paulo em 1922. Participaram escritores, artistas plásticos, arquitetos e músicos. Queriam com isso, renovar o ambiente artístico e cultural com a produção de uma arte autêntica brasileira e alinhadas com as vanguardistas europeias, mas, sem perder a qualidade.

Esses jovens artistas se influenciaram esteticamente por movimentos e tendências europeias como o cubismo, o expressionismo e ramificações impressionistas.

Anita Malfatti, Menotti del Picchia, Mário de Andrade e Oswald de Andrade formaram o grupo dos cinco formando o movimento Vanguardista no Brasil. Eles iniciaram toda a história da arte moderna brasileira.

No texto de Oswald de Andrade intitulado de Manifesto da Poesia Pau-Brasil, ele discorre por várias questões históricas, sociais, culturais brasileiras. Muitas são as críticas que aparecem em seu texto. Abaixo um trecho desse texto que foi publicado na época em que se lutava tanto por uma arte genuinamente brasileira.

Não há luta na terra de vocações acadêmicas. Há só fardas. Os futuristas e os outros.
Uma única luta - a luta pelo caminho. Dividamos: poesia de importação. E a Poesia Pau-Brasil, de exportação.
Houve um fenômeno de democratização estética nas cinco partes sábias do mundo. Instituíra-se o naturalismo.
Copiar. Quadro de carneiros que não fosse lã mesmo, não prestava. A interpretação no dicionário oral das Escolas de
Belas Artes queria dizer reproduzir igualzinho...Veio a pirogravura. As meninas de todos os lares ficaram artistas.
Apareceu a máquina fotográfica. E com todas as prerrogativas do cabelo grande, da caspa e da misteriosa genialidade
de olho virado - o artista fotográfico.
Na música, o piano invadiu as saletas nuas, de folhinha na parede. Todas as meninas ficaram pianistas. Surgiu
o piano de manivela, o piano de patas. A pleyela. E a ironia eslava compôs para a pleyela. Straviski.  (ANDRADE, Oswald de. O manifesto antropófago. In: TELES, Gilberto Mendonça (FURG)).)

”Só a ANTROPOFAGIA nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente”.
Única lei do mundo. Expressão mascarada de todos os individualismos, de todos os coletivismos. De todas as religiões. De todos os tratados de paz. Com estas frases Oswald de Andrade inicia seu Manifesto Antropófago.

Ele faz muitas críticas a todas as coisas que não damos valor, principalmente a nós mesmos, brasileiros que só nos importamos com o que vem de fora, tudo que vem do estrangeiro é melhor, somos engolidos por tudo música, arte e tudo mais consumimos sem nos importar.

Ele conclama que o antropofagismo seria uma solução, já que assim nossa cultura poderia se sobressair diante das que vinham de fora, iríamos engolir a cultura estrangeira e nos importar mais, valorizar mais a nossa cultura.

Essa era uma ideia da exposição de 1922 onde ele era um dos idealizadores.
 Mas, acredito que nos dias de hoje essa luta continua, mudou pouco da época de Oswald para hoje. O mundo globalizado fez com que todas as culturas se misturassem mais rapidamente transformando-a em uma cultura híbrida, não que não temos isso à muito tempo em nosso meio, pois, nosso país tem uma matriz indígena e negra, (negros vindo dá África), só isso já configura hibridismo.



O Farol. 1915. óleo s/ tela (46,5x61). Col. Chateaubriand

Bandeira de Mello, RJ.





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