ANITA MALFATTI
Anita
Catarina Malfatti, nasceu em 2 de dezembro de 1989, na cidade de São Paulo,
filha do engenheiro italiano Samuel Malfatti e Betty Krug. Sua mãe era
professora de pintura e línguas, por isso, sua instrução artística se deu em sua
própria casa. Tinha uma atrofia em seu braço e mão direita, então, por conta
disso, pintava com a mão
esquerda.
Ingressou
na Escola Mackenzie College, onde fez seus estudos normalmente, formou-se
professora, com seus 19 anos de idade. Logo depois de sua formatura, seu pai
faleceu e ela tinha muito apego a ele e sofreu muito com isso.
Tinha
um talento espantoso para a pintura, seu tio e seu padrinho se juntaram e
conseguiram uma quantia em dinheiro, patrocinaram a ela uma viagem para a
Alemanha para estudar arte.
Em
1911, matriculou-se na Academia Real de Belas Artes de Berlim, Alemanha, lá,
foi influenciada pelo Expressionismo.
Tempo
depois viajou para os Estados Unidos e conheceu o movimento modernista. Malfatti
retratava em suas obras principalmente pessoas marginalizadas que viviam nos
centros urbanos. Suas obras não foram bem aceitas pelos integrantes das classes sociais,
as chamadas classes conservadoras.
EXPOSIÇÃO DE ANITA MALFATTI
Em
1917, entre 12 de dezembro e 11 de janeiro de 1918, em São Paulo, houve uma
exposição de Anita Malfatti, essa exposição é considerada um “marco” na história
da Arte Moderna no Brasil, foi o “estopim” para o início da Semana da Arte
Moderna que viria logo depois em 1922.
As
telas expressionistas que Anita apresentou na exposição, eram inéditas ao público
da sociedade paulistana, por isso, houve uma severa crítica do escritor
Monteiro Lobato. Sua crítica foi em torno dos supostos equívocos que trazia a
arte moderna, para ele, a arte era somente aquela em que figurava a estética (a
beleza), os padrões que os gregos e os renascentistas criaram. Abaixo Oswald de Andrade, também escreve sobre Malfatti.
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La Boba, Autor: Anita Malfatti Onde ver: Museu de Arte
Contemporânea, USP, São Paulo
Ano: 1915 - 1916
Técnica: Óleo sobre tela
Tamanho: 61cm x 50,6cm
Movimento: Modernismo
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Na exposição, Malfatti figura ainda, como justificativa da sua escola, o
trabalho de um "mestre" americano, o cubista Bolynson. É um carvão
representando (Sabe-se disso porque o diz a nota explicativa) uma figura em
movimento. Ali está entre os trabalhos da Sra. Malfatti em atitude de quem
prega: Eu sou o ideal, sou a obra prima; julgue o público do resto, tomando a
mim como ponto de referência. (ANDRADE, Oswald de. O
manifesto antropófago.)
Na época, o texto de Monteiro Lobato, causou um
reboliço na arte e na vida da Artista fazendo com que ela voltasse a pintar da
maneira que fizera antes. Nos dias de hoje Monteiro Lobato era quem receberia severas
críticas pelo texto escrito, já que a arte mudou muito seu conceito daquele
tempo para hoje, agora, ele iria saber que Anita estava certa em sua ousadia.
SEMANA DA ARTE MODERNA
Ocorreu
entre os dias 11 e 18 de fevereiro, há 94 anos no Teatro Municipal de São Paulo
em 1922. Participaram escritores, artistas plásticos, arquitetos e músicos.
Queriam com isso, renovar o ambiente artístico e cultural com a produção de uma
arte autêntica brasileira e alinhadas com as vanguardistas europeias, mas, sem
perder a qualidade.
Esses
jovens artistas se influenciaram esteticamente por movimentos e tendências europeias
como o cubismo, o expressionismo e ramificações impressionistas.
Anita
Malfatti, Menotti del Picchia, Mário de Andrade e Oswald de Andrade formaram o
grupo dos cinco formando o movimento Vanguardista no Brasil. Eles iniciaram
toda a história da arte moderna brasileira.
No
texto de Oswald de Andrade intitulado de Manifesto da Poesia Pau-Brasil, ele
discorre por várias questões históricas, sociais, culturais brasileiras. Muitas
são as críticas que aparecem em seu texto. Abaixo um trecho desse texto que foi
publicado na época em que se lutava tanto por uma arte genuinamente brasileira.
Não há luta na terra de vocações acadêmicas.
Há só fardas. Os futuristas e os outros.
Uma única luta - a
luta pelo caminho. Dividamos: poesia de importação. E a Poesia Pau-Brasil, de
exportação.
Houve um fenômeno de democratização estética
nas cinco partes sábias do mundo. Instituíra-se o naturalismo.
Copiar. Quadro de carneiros que não fosse lã
mesmo, não prestava. A interpretação no dicionário oral das Escolas de
Belas Artes queria dizer reproduzir
igualzinho...Veio a pirogravura. As meninas de todos os lares ficaram artistas.
Apareceu a máquina fotográfica. E com todas
as prerrogativas do cabelo grande, da caspa e da misteriosa genialidade
de olho virado - o artista fotográfico.
Na música, o piano invadiu as saletas nuas,
de folhinha na parede. Todas as meninas ficaram pianistas. Surgiu
o piano de manivela, o piano de patas. A
pleyela. E a ironia eslava compôs para a pleyela. Straviski. (ANDRADE,
Oswald de. O manifesto antropófago. In: TELES, Gilberto Mendonça (FURG)).)
”Só a ANTROPOFAGIA nos une.
Socialmente. Economicamente. Filosoficamente”.
Única lei do mundo. Expressão
mascarada de todos os individualismos, de todos os coletivismos. De todas as
religiões. De todos os tratados de paz. Com estas frases Oswald de Andrade inicia seu
Manifesto Antropófago.
Ele faz muitas críticas a todas as
coisas que não damos valor, principalmente a nós mesmos, brasileiros que só nos
importamos com o que vem de fora, tudo que vem do estrangeiro é melhor, somos
engolidos por tudo música, arte e tudo mais consumimos sem nos importar.
Ele conclama que o antropofagismo
seria uma solução, já que assim nossa cultura poderia se sobressair diante das
que vinham de fora, iríamos engolir a cultura estrangeira e nos importar mais,
valorizar mais a nossa cultura.
Essa era uma ideia da exposição de
1922 onde ele era um dos idealizadores.
Mas, acredito que nos dias de hoje essa luta
continua, mudou pouco da época de Oswald para hoje. O mundo globalizado fez com
que todas as culturas se misturassem mais rapidamente transformando-a em uma
cultura híbrida, não que não temos isso à muito tempo em nosso meio, pois,
nosso país tem uma matriz indígena e negra, (negros vindo dá África), só isso
já configura hibridismo.
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O Farol. 1915. óleo s/ tela (46,5x61). Col. Chateaubriand
Bandeira de Mello, RJ.
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