BRECHERET O ESCULTOR
BRASILEIRO
Para
Brecheret a arte clássica é à base de sua própria modernidade. Ele nasceu no
ano de 1894, ficou órfão muito cedo, e fora criado pelos tios, irmãos de sua
mãe, Henrique e Antônia Anane, seus pais italianos, Augusto Brecheret e Paulina
Anane.
Iniciou
seus estudos de arte na escola de ofícios Liceu em São Paulo, trabalhava de dia
na fábrica de sapatos de seu tio e à noite estudava arte, lá ele desenhava
fazia modelagem e entalhe em madeira.
Sua
vocação apareceu quando ele encontrou em uma calçada molhada, um recorte de
jornal de uma escultura de Rodin, então naquele momento ele decidira que seria
escultor. Sua primeira obra foi uma escultura de madeira, uma releitura de
pietá de Michelangelo.
Seus
professores do Liceu acharam quem não tinham mais nada a ensinar a Brecheret,
em 1913, com 19 anos de idade, ele viajou de navio para Roma a fim de se
aprimorar mais. Não obstante ele achou que não estava ainda preparado para o
exame de admissão na Escola de Belas Artes de Roma. Então foi trabalhar como
aprendiz em um ateliê do artista Artur Odadse, famoso escultor clássico
Italiano. Lá ele aprende muito sobre arte, amassa o barro, faz armações para
bloco, desenho da anatomia humana e animais aprende a esculpir e a maestria na
escolha dos materiais.
Visita
museus admira monumentos e aprende muito com escultores famosos. Rodin é um
deles que lhe causa bastante impacto, depois disso ele será outro escultor,
abandona as coisas pequeninas de seu antigo mestre, agora ele tem outra maneira
de conceber a forma, aprende a jogar com a luz e vai aos poucos se aproximando
da modernidade.
Depois
da guerra, em seu ateliê em Roma, em 1916, participa da Primeira Exposição de
Roma com a peça “Despertar” foi sucesso de crítica, depois a mesma peça recebe
o primeiro prêmio da Primeira Exposição de Belas Artes Internacional de Roma.
Em
1917, em Paris, foi ao enterro de Rodin. Para ele, Rodin seria o novo caminho
na arte.
As
peças de Brecheret a vitória, o cristo, o ídolo e sóro dolorosa foram expostas
no saguão do Municipal. Estavam lá, tomando vaias, causando espanto, tomando
parte da festa de modernidade na semana de 1922.
Novamente
em São Paulo, Brecheret instalou seu ateliê no palácio das indústrias, em uma
sala cedida pelo seu antigo instrutor Ramos de Azevedo seu antigo diretor do
Liceu de artes e ofícios.
Depois
de um ano em São Paulo, sem que ninguém se interessasse pelos trabalhos do
artista que se destacou no exterior, se espantou com a entrada em seu ateliê de
Oswald de Andrade, Di Cavalcanti, Helio Seringela que antes riam dele e agora,
rasgavam elogios as suas peças monumentais, e com tal domínio técnico, arte não
acadêmica, um escultor diferente e de primeira, artista original, poderoso. Então,
fizeram dele a bandeira para desencadear o movimento de Arte Moderna.
Até
mesmo o conservador escritor Monteiro Lobato que arrasou Anita Malfatti, agora
se curvava e o consagrava, falava de suas obras e afirmava, “grandes obras, de
grandes escultores mundiais”.
Pelas
comemorações do Centenário da Independência do Brasil, o clima era de
nacionalismo exagerado, surgiam projetos, abriam-se concursos para motivos e
fatos históricos. Venciam os escultores épicos tradicionais acadêmicos, dos
escultores estrangeiros.
Brecheret
foi incumbido de realizar um projeto de Movimento as Bandeiras, Menot, Monteiro
Lobato e Oswald de Andrade formaram a comissão.
E
em 1920 Brecheret apresentou ao público o projeto do monumento, apresenta
alegorias, traços do expressionismo de Mestrovit, não era muito arrojado, mas era uma escultura
modernista. O projeto foi engavetado por problemas surgido na época.
No
ano de 1920 a arte brasileira se firmou como arte futurista, se distancia do
naturalismo, rompendo com o clássico.
Antes
da Semana de Arte Moderna, Brecheret parte para Paris, havia recebido uma bolsa
do pensionato artístico do Estado, conseguida pelos amigos modernistas.
Nesta
época o cubismo não era mais uma força se transformara em arte decor.
Então sua arte figurativa tende agora a
estilização e a abstração geométrica, sente a influência dos estilos que acontece
em Paris, e assimila o que mais se aproxima de sua personalidade a arte decor
que é uma diluição do cubismo e mais estilizada, reduzindo a escultura a um
bibelô. Com Brecheret isso não aconteceu,
não continuou com o bibelô, pois possuía uma tendência natural ao monumental, o
que faltava a esses novos artistas.
Em
1923, Brecheret, recebe o primeiro prêmio do Salão de Paris, com aquela que é
considerada sua obra prima “o sepultamento”. Em Paris ele se casou com Simone
Borda e viveu por 15 anos. Tinha muitos amigos artistas escultores e pintores,
inclusive muitos brasileiros como Anita Malfatti, Rego Monteiro, Tarsila do
Amaral entre outros.
Ainda
em Paris se fascinou muito com a escultura religiosa, manteve correspondências
com seus amigos modernistas. “Irmãos de sonhos, irmãos de arte”, como costumava
dizer. Viveu muito tempo na Itália, França e Brasil, fazia até confusão na hora
de escrever.
Em
1934 expôs no Rio de Janeiro, em 1926, 1930 e 1935 em São Paulo. Depois de
muitos anos na França voltou ao Brasil definitivamente em 1933, já em 1936,
depois de 16 anos, Brecheret retoma o projeto de construção do Monumento as
Bandeiras, em dezembro do mesmo ano assina contrato de realização de seu
projeto. O momento era propício, tudo estava favorável, Armando de Sales
Oliveira havia aprovado o projeto, símbolo da bravura paulista.
Seria
no novo parque do Ibirapuera de frente para a Avenida Brasil, era uma obra
moderna, todas as figuras seriam esculpidas em granito. Mas, no ano seguinte
tudo iria parar, sem verba ele já estava trabalhando sozinho.
Com
o golpe de estado de 1937, nenhuma verba mais foi destinada, ao monumento,
mudara a situação política e os interesses eram outros. Enquanto aguardava o
prosseguimento da obra, Brecheret continuava no galpão do Ibirapuera realizando
seu trabalho, fez trabalhos para particulares e para prefeitura de São Paulo.
Depois
disso em dezembro de 1941, ganhou o concurso internacional para o monumento a
Duque de Caxias, segundo ele, um projeto clássico do ponto de vista Grego. Foi inaugurado
na Praça Princesa Isabel em 1960, ele não chegou a ver o monumento pronto,
pois, faleceu em 1955.
Em
1946 Brecheret retornou a construção do Monumento as Bandeiras, assinou novo
contrato, agora com a Prefeitura.
Brecheret
era um operário da arte dominava todos os materiais e todas as técnicas.
Na
primeira Bienal de São Paulo, Brecheret recebe um prêmio com a peça “índio
Iassuasuapara”.
Em
1953 executou várias obras para sede do Jóquei-clube de São Paulo.
Em
25 de janeiro de 1953, 33 anos depois é inaugurado o Monumento as Bandeiras,
composto de 37 figuras, 50m de comprimento, 16m de largura e 10m de altura.
Segundo Brecheret a ideia era uma grande rocha de granito esculpida, como não
tinha uma no local, ele precisou criar sobrepondo bloco sobre bloco para criar
a esculturas e se transformando num grande granito.
Ele
também desejava criar um monumento que tivesse um cunho tipicamente brasileiro,
representando todas as raças que tinham tomado parte nas bandeiras e emoções.
Já
em 17 de dezembro de 1955, Brecheret produz sua última peça, uma escultura
religiosa. Mas, antes disso ele estava buscando a pureza original das pedras
que ele encontrava, adaptando-as com pequenas incisões, intenções pictóricas,
ao primitivo com os assuntos e motivos dos índios brasileiros. Depois de anos e
anos de conhecimento sobre a escultura contemporânea ele se volta para a raiz
brasileira. Isso mostra como ele acertou e hoje ele é considerado o escultor do
modernismo brasileiro.